Apresentação do Capítulo 06

ACOMPANHE AQUI OS JOGOS DESTE CAPÍTIULO:

Por: Édisa Brito Lopes
Ana Maria Hecker Luz
Maria do Perpétuo Socorro M. T. Azevedo
Wânia Teles de Moraes

Revisão Técnica: Ana Sudária de Lemos Serra

Dinâmicas de Apresentação

  • Tribo indígena;
  • Aprendendo o nome;
  • Cartão postal;
  • Me toca aqui;
  • Auto-retrato;
  • Um objeto intermediário;
  • Cadeia de afinidade;
  • Quem é você?;
  • Chegada, as boas vindas.

Dinâmicas de Integração

  • Mãozinhas;
  • Salada de frutas;
  • A escada;
  • A trilha;
  • A rede;
  • Jogo do toque;
  • Balão no pé;
  • Jogo do jornal;
  • Massa de modelar;
  • Sonho acordado - Meu instrumento de trabalho!;
  • Eu e o grupo;
  • Energização;
  • Mentalização;
  • Toré / Dança indígena;
  • Feitiço;
  • Comandar e ser comandado;
  • Estações do ano;
  • Construção coletiva da torre;
  • Telefones sem fio;
  • Escolha cuidadosamente suas palavras;
  • Comunicação não verbal;
  • Figuras integrativas;
  • O trem da solidariedade;
  • João bobo.

Dinâmicas de Sexualidade

  • O semáforo;
  • Brincadeira do saco;
  • Espelho mental;
  • Expressando a sexualidade;
  • O jogo da auto-estima;
  • Adolescer;
  • Descobrindo a adolescência;
  • Jogos das aparências;
  • Eu era assim e fiquei assim I;
  • Eu era assim e fiquei assim II;
  • Linguagem popular;
  • Linha da vida I;
  • Linha da vida II;
  • Conhecimento do corpo;
  • Masturbação: Mitos e realidade;
  • Por quê tanta diferença?
  • Masculino ou feminino;
  • Mensagens dos meios de comunicação;
  • Estou satisfeito de ser como sou;
  • Reações masculinas e femininas;
  • Árvore dos valores;
  • O Beijo;
  • Festival de dois minutos;
  • Jogo da mochila;
  • Estereótipos;
  • Jogos dos mitos e da realidade;
  • A visita do ET;
  • Conhecendo nosso corpo II;
  • O que recebo? O que dou?
  • Meu namorado ideal;
  • Ficar é..., Namorar é...
  • Negociação;
  • Casos e acasos;
  • Refletindo sobre a virgindade;
  • Frio na barriga;
  • As cores da prevenção;
  • Paternidade/maternidade: Agora ou Depois?
  • Estudo de caso;
  • Parando para pensar sobre a violência;
  • Pensando a violência em situações sexuais;
  • Gravidez não planejada.

Dinâmicas de Prevenção às DST/AIDS

  • Nada vai acontecer comigo;
  • Não sei cuidar da minha vida sexual!
  • Cadeia de transmissão;
  • Contatos pessoais;
  • Negociando o uso do preservativo - Batata quente;
  • Vestindo-se para a festa;
  • Negociando o uso da camisinha;
  • Oficina de sexo seguro;
  • Vestindo a camisinha masculina;
  • Testando lubrificante;
  • Fábrica de camisinhas;
  • Dinâmica dos quadrados;
  • Dramatização;
  • Concordo e discordo.

Dinâmicas de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas

  • Quando estou triste... quando me sinto feliz;
  • Técnica da massa de modelar;
  • Falando a verdade;
  • Como ser firme sem ofender os outros;
  • Lidando com situações-problemas;
  • Refletindo sobre responsabilidade;
  • Portas;
  • Dar e receber;
  • Dentro e fora;
  • A Árvore do prazer;
  • Pirâmide;
  • Levantamento das motivações;
  • Construção de imagens corporais;
  • Negociando a gente se entende;
  • Mímica;
  • Jogos dos balões;
  • Cartões informativos;
  • O Ritual;
  • O Rastro.

Dinâmicas de Educação para Paz

  • Jogos "Abraços musicais cooperativa";
  • Jogo do "Zoológico";
  • Jogo "Pintura alternativa";
  • Jogo "Colo musical";
  • Jogo "Cartões descritivos";
  • Jogo dos "Triângulos";
  • Jogo "O gato e o rato";
  • Jogo "Compatriotas, estrangeiros, diferentes";
  • Jogo "Fotos conflitivas";
  • Jogo "Cadeia de transmissão";
  • Jogo "Escutando";
  • Jogo "Meta! Desejo".

Dinâmicas de Planejamento

  • Faxina ecológica;
  • A Salada;
  • Nosso projeto de vida;
  • Recursos escassos;
  • Metas a curto prazo: Meu compromisso;
  • Jogo dos bastões;
  • Dinâmicas de Encerramento;
  • Imagem corporal;
  • Balão na roda;
  • Diploma afetivo;
  • Abraço de urso.

METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS
Apresentação

Este capítulo foi desenvolvido para proporcionar à enfermagem ferramentas metodológicas básicas para o desenvolvimento de atividades educativas preventivas e terapêuticas. Quem lida com adolescentes freqüentemente se questiona acerca de como pode incluir os adolescentes no desenvolvimento das ações de promoção à saúde, absorvendo suas vivências e potencializando seu crescimento e desenvolvimento integral. A proposta pedagógica aqui apresentada pode ser um elo importante nessa direção. A metodologia empregada adota como pressuposto básico a participação, o desenvolvimento da reflexão crítica e o estímulo à criatividade e iniciativa.

Justificativa

Os temas ligados à Sexualidade, Drogas, DST/aids e violência suscitam a emergência de emoções, valores, crenças, mitos, tabus e preconceitos que estão arraigados na identidade pessoal e social dos participantes dos grupos a serem capacitados. Em vista disso, na capacitação de profissionais para o desenvolvimento de ações de promoção e prevenção, buscou-se a metodologia participativa que facilita os processos de reflexão pessoais, interpessoais e de ensino-aprendizagem, integrando o grupo e estabelecendo vínculos de afetividade e respeito mútuo.

Os resultados desses processos são alcançados através das seguintes propostas:

  • A criação de um clima lúdico e de liberdade que comprometa e faça emergir a motivação para a aprendizagem.
  • Um trabalho participativo numa visão sistêmica e sócio-interacionista, onde os participantes são agentes ativos e atriz/atores de sua própria história.
  • A dinamização da aplicação das técnicas, que motiva o compromisso e a reflexão crítica no processo de conscientização, oportunizando a re-significação de emoções, valores e conhecimentos.
Conceito de Metodologia Participativa

Metodologia Participativa é aquela que permite a atuação efetiva dos participantes no processo educativo sem considerá-los meros receptores, nos quais depositam conhecimentos e informações. No enfoque participativo valoriza-se os conhecimentos e experiências dos participantes, envolvendo-os na discussão, identificação e busca de soluções para problemas que emergem de suas vidas cotidianas.

É uma forma de trabalho didático e pedagógico baseada no prazer, na vivência e na participação em situações reais e imaginárias, onde através de técnicas de dinâmica de grupo, jogos dramáticos e outros, os participantes conseguem, por meio de fantasia, trabalhar situações concretas.

Princípios Básicos das Teorias Aplicadas

As metodologias atuais multiplicam-se numa diversidade teórica e de técnicas grupais e individuais. Este guia enfoca três métodos que servirão de base nos seus aspectos teóricos e técnicos, para aplicação das dinâmicas que serão abaixo sugeridas e das dicas quanto a posturas e procedimentos frente à condução de grupos.

A escolha dessas metodologias baseou-se em face de as mesmas apresentarem características peculiares que influenciam não apenas no relaxamento e/ou no clima lúdico e sim possibilitando a participação efetiva do grupo na construção do conhecimento.

Psicodrama

Psicodrama foi criado por J.L. Moreno e sua teoria parte da idéia do homem em relação, constituindo seu eixo fundamental, a inter-relação. É uma abordagem na qual se integram uma visão da dinâmica de grupo interativa a uma filosofia da criatividade/espontaneidade, tendo como referencial teórico a Sociometria, que é a ciência das relações interpessoais.

Basicamente, o Psicodrama trabalha com grupos, utilizando técnicas de ação que facilitam o desenvolvimento dos mesmos. As aplicações de suas técnicas (jogos dramáticos, inversão de papéis, dramatização, role-playing entre outras) têm um amplo leque de aplicação, incluindo o uso de vivências dirigidas para aquecimento de grupo, treinamento de habilidades, exploração de um assunto, enfrentamento de conflitos, melhoria das relações sociais/profissionais, estudo diagnóstico e terapêutico de grupos e tantas outras finalidades.

Todas as técnicas propõem-se a objetivos como compreensão da dinâmica e patologia grupal, a explicitação da rede afetivo-emocional e as necessidades e possibilidades de mudança.

A metodologia psicodramática que ora está sendo descrita denomina-se Psicodrama Pedagógico. A aplicação do Psicodrama no plano pedagógico, como neste caso, não se aprofunda em problemas pessoais mas proporciona benefícios terapêuticos ao grupo.

O início dos trabalhos baseia-se no que o grupo sabe, percebe ou sente a respeito das coisas ou do que ocorre com ele. A partir do que é trazido, inicia-se o processo de reflexão e, junto com o grupo, chega-se à conceituação desejada ao ponto comum que é o novo conhecimento construído. Com toda a riqueza dessa nova construção, estimulam-se as produções criativas e espontâneas, integrando o conhecimento ao que ocorre no momento da criação.

Além de facilitar a construção do conhecimento, o método cuida dos seguintes aspectos: percepção de si mesmo, percepção do outro e a manifestação da afetividade e sensibilidade (espontaneidade/criatividade).

O Psicodrama Pedagógico utiliza 5 instrumentos e 3 etapas para operacionalizar um trabalho psicodramático:

  1. INSTRUMENTOS: são os recursos utilizados para executar o método psicodramático:
    • Diretor - é o responsável pela condução dos trabalhos grupais.
    • Ego-Auxiliar - é o profissional colaborador e um dos principais instrumentos com que o Diretor pode contar. É necessário que a dupla (Diretor e Ego) tenha um bom vínculo para um funcionamento harmônico e operante.
    • Protagonista - pode ser o grupo ou um dos participantes do grupo, para quem se aplicam as técnicas.
    • Cenário - consiste no local onde se realiza o trabalho.
    • Auditório - são as pessoas que de alguma forma ficam de fora de uma técnica, mas geralmente o grupo todo entra no contexto e, portanto, não existe o Auditório nesta situação.
  2. ETAPAS: são as fases de procedimento na utilização de um jogo ou técnica psicodramática:
    • Aquecimento - inicia-se com o primeiro contato do Diretor com o grupo até a hora do jogo dramático e a apresentação de suas regras.
    • Dramatização - é a aplicação do jogo dramático propriamente dito e onde o Diretor pode identificar os conflitos.
    • Comentários - são os comentários feitos pelos participantes após o jogo. O conflito também pode ser expresso nesta etapa.
Por tudo isto, o Psicodrama é considerado um método de aprendizagem com base numa correlação afetiva cognitiva e sua importância se estabelece no seu valor formativo.
Dinâmica de Grupo

A Dinâmica de Grupo surgiu no interior das Ciências Sociais, sendo que Kurt Lewin popularizou o termo ao desenvolver uma teoria própria, "Princípios da Psicologia Topológica", que foi objeto de contribuições de diversas disciplinas em sua fundamentação. Ela parte do pressuposto básico de que "O homem está no grupo" e refere-se a um tipo de ideologia política que organiza e direciona os grupos". É também considerada como um conjunto de técnicas utilizadas em programas de treinamento pessoal, que visam a pesquisa sobre a natureza dos grupos, as leis de seu desenvolvimento, a inter-relação entre os indivíduos e o grupo, entre outros grupos e instituições, dentre outras utilizações.

Os especialistas em dinâmica de grupo trabalham com 5 (cinco) suposições fundamentais:

  • Os grupos são inevitáveis e onipotentes.
  • Os grupos mobilizam poderosas forças que têm influência decisiva nos indivíduos.
  • Os grupos podem ter conseqüências boas ou más.
  • Uma compreensão correta da dinâmica de grupo permite intensificar deliberadamente as conseqüências desejáveis dos grupos.
  • Os grupos têm seu próprio ritmo e dinâmica. Nesse sentido é importante respeitar esse movimento.

A dinâmica de grupo não é psicoterapia de grupo; o próprio grupo se auto-analisa e se auto-interpreta. O grupo motiva o indivíduo e o indivíduo motiva o grupo: o indivíduo aprende do grupo e o grupo, do indivíduo. Portanto as técnicas didáticas da Dinâmica de Grupo devem alternar-se entre o trabalho individual com vistas ao trabalho em grupo, e o trabalho em grupo com vistas à motivação individual.

Um dos desafios com que se defronta o responsável de um grupo de trabalho é o de favorecer e assegurar o crescimento de seu grupo e sua integração. Essa integração se opera gradativamente em três fases:

  1. A primeira fase é identificada como a fase individualista, pois os que se reúnem em grupo têm tendência, no início e por um certo tempo, a querer se afirmar como indivíduos.
  2. A segunda fase é a fase de identificação. Quanto mais heterogêneo o grupo, mais esta fase terá tendência a se prolongar, pois os indivíduos sentem, então, a necessidade de subgrupar com aqueles que experimentaram o mesmo temor e partilham das mesmas apreensões.
  3. A terceira fase, fase de integração, acontece quando cada elemento do grupo se sente plenamente aceito. Quando os membros minoritários tiverem certeza de que no momento das decisões serão aceitos, um grupo de trabalho consegue então se integrar .

Outro aspecto importante é a participação, na condução dos trabalhos em grupo, de dois profissionais, um sendo o coordenador e o outro co-coordenador

APRENDIZAGEM VIVENCIAL

O modelo teórico centrou-se na Teoria de Desenvolvimento de grupo, proposta por Will Schutz. Segundo o autor, o desenvolvimento de um grupo ocorre a partir de uma curva probabilística na qual são vivenciados os vínculos interpessoais em diferentes fases complementares e interdependentes: inclusão, controle, afeto e separação.

Edimar Leite associou o método de desenvolvimento de um grupo a um modelo pedagógico, representado pelas seguintes características:

DESENVOLVIMENTO DO GRUPO ESTRATÉGICAS PEDAGÓGICAS

  • INCLUSÃO
  • CONTROLE
  • AFETO
  • SEPARAÇÃO

Cada uma dessas fases reúne especificidades que direcionam as dinâmicas de constituição de identidade de um grupo e as dinâmicas de interação indivíduo/grupo.

Fase de Inclusão

Começa na formação do grupo; o participante quer descobrir primeiro onde se encaixa. As primeiras preocupações são: decidir se quer e pode estar incluído ou não nele, estabelecer-se como indivíduo distinto dos outros e verificar se será valorizado ou ignorado. Ao mesmo tempo, estará decidindo até que ponto poderá se comprometer com este grupo, pois dispenderá energia também em outros compromissos, sendo necessário um espaço para participar dele. Decidirá basicamente quanta interação e comunicação desejará ter. As perguntas naturais são: O quanto de mim darei para este grupo? O quanto serei importante nesta situação? Será que eles irão apreciar quem eu sou e o que possa fazer, ou permanecerei indistinto de todos os outros?

Entendendo que nesse momento as pessoas estarão diferenciadas (representando somente a si mesmas já que ainda não há identidade de grupo), é imprescindível o máximo de cuidado para que ninguém fique exposto a situações onde haja necessidade de responder pelo grupo ou colocar para ele questões pessoais e/ou intimas.

No transcorrer do processo de formação do grupo, outras preocupações surgirão: transgredir ou não os limites impostos e pertencer ou não a ele. Se houverem dúvidas e ansiedades, a tendência de alguns participantes é manifestarem comportamentos centrados em si mesmos, falarem e/ou retrairem-se exageradamente ou exibirem-se.

As técnicas utilizadas devem visar a motivação para atrair, cativar e despertar o interesse para o tema, de uma forma ampla.

Fase de Controle

Nesta fase, o grupo tem delineada a noção de estar reunido. Nela, o comportamento característico inclui a disputa por liderança de um modo geral e pela atenção do líder. Aparecem os primeiros traços de competição. Os membros do grupo tomam decisões, compartilham responsabilidades, questionam o facilitador e distribuem poderes de uma forma desorganizada.

Uma vez decidido que pertencem ao grupo, os elementos passam a se sentir incluídos e, se o contrato de trabalho tiver sido elaborado de forma clara, os participantes terão oportunidade de manifestar opiniões pessoais sobre os temas. Isto pode trazer algum transtorno à equipe, pois várias formas de abordar o mesmo assunto serão expressas. É importante comunicar que o grupo deve sentir-se à vontade para explicitar pensamentos, idéias e sentimentos.

Havendo consenso nas questões debatidas, surgirá um quadro de características que definirão o perfil do grupo, configurando, a partir de então, a identidade própria do mesmo. Isto significa dizer que as pessoas mostram-se Os recursos técnicos que coadunam com as características desta fase precisam estar centrados em exploração, isto é, deverá ser apresentado o maior número possível de materiais referentes ao tema, uma vez que o grupo estará se preparando para escolher, optar, decidir, conhecer e questionar o que estiver sendo trabalhado. Neste período torna-se importante promover atividades que partam do individual para o coletivo.

Finalmente, não deve ser esquecida a avaliação da atitude grupal pelo facilitador em todas as fases, uma vez que irá depender disto o quanto será possível avançar ou recuar em relação ao conteúdo.

Fase de Afeto

Uma vez manifestadas e resolvidas questões da fase de controle, os temas relacionados à afeição passam ao primeiro plano. Os participantes já se diferenciaram, no que se refere à responsabilidade e ao poder, e passarão a experimentar formas de se tornarem emocionalmente integrados.

Nesta fase, acontecem as mais diversas expressões de sentimentos positivos e negativos: hostilidade pessoal direta, ciúme, emoções e formação de pares tornam-se mais evidentes, sem que isto signifique desrespeito ou desconsideração das partes.

O que diferencia esta fase da anterior é o fato de que, ao expressar tais emoções, os participantes conseguem fazê-lo de modo que a situação não apresente caos ou falta de controle. Cada participante pode, neste momento, comunicar-se com os demais de maneira adequada e mais verdadeira do que no início do grupo.

A atmosfera de intimidade que se apresenta neste período favorece a fase de formalização. É neste momento que o produto de toda a vivência do grupo frutifica. Baseado nisto, o facilitador deverá trazer possibilidades de efetivar esta ação através de técnicas que permitirão uma avaliação formal.

Neste período o grupo tende a se "distanciar" do facilitador, pois o mesmo estará voltado para a elaboração do seu produto e, em função disto, não deverão surgir tantos questionamentos relacionados à liderança. Ainda assim, o facilitador precisará manter postura de referência e suporte para que a próxima fase (separação) seja efetivada e o processo possa ser concluído integralmente.

Fase de Separação

Os grupos ou as relações que estejam prestes a terminar ou a reduzirem seu nível de interação e que não tenham vivenciado integralmente as etapas anteriores, exibem comportamentos do tipo: ausências e atrasos freqüentes, mais dispersão e devaneios, esquecimento de materiais, evasão, entre outros. Deste modo, geralmente as pessoas relembram experiências anteriores buscando oportunidades para abordar questões que não foram completamente resolvidas no momento destinado à elas, tentando resgatar de uma só vez todo o conteúdo que foi apresentado. Nestes casos, é comum surgirem dificuldades, na medida em que as pessoas desejam avidamente recuperar o que já passou e não conseguem avaliar o que foi produzido ou então tendem a enfatizar apenas aspectos negativos.Quando a atenção fica voltada a estes aspectos, o grupo tenderá a perder a força para concretizar a separação, pendendo a uma "diluição" e, consequentemente, apresentar dificuldades para incluir-se em um novo grupo ou processo.

A realização de uma avaliação é importante no sentido de se detectar pontos positivos e negativos. A partir de então, ficará mais fácil para os participantes estabelecerem metas individuais ou com pequenos grupos para que os conteúdos objetivos e subjetivos sejam estendidos dentro do seu contexto. É neste momento que deverão ser aplicados os pós-testes e avaliações formais referentes aos conteúdos.

O cuidado que o facilitador precisa ter com os participantes deverá ser redobrado nesta fase, pois a separação, na nossa cultura, tem uma conotação de finitude e morte. Nesse trabalho, a ênfase que deverá ser dada é de estarmos ora diferenciados (separados) ora indiferenciados (juntos), tal qual na dinâmica da vida. Este exercício constante traz a possibilidade de nos descobrirmos criativos e interdependentes e não mais determinados a um condicionamento, dependência ou submissão.

Este último período é de suma importância, visto que, a partir dele, avalia-se o trabalho do facilitador, o processo como um todo e o que ele pode vir a significar futuramente.

Características Pessoais
  • Estar aberto para o diferente, disponível para o diálogo, não se considerando o dono da verdade.
  • Desenvolver a capacidade de escuta e de leitura do educando e do seu meio.
  • Respeitar os limites, necessidades e valores de cada indivíduo e dos grupos sociais.
  • Saber distinguir o campo terapêutico do não terapêutico.
  • Estabelecer relação complementar e horizontal com o grupo, formando um vínculo saudável e espontâneo.
  • Conhecer e dominar o conteúdo a ser desenvolvido quanto aos exercícios ou dinâmicas a serem aplicadas, vivenciando-as anteriormente ou tendo bastante segurança em conduzí-las.
  • Investir na formação do papel de facilitador com leituras, cursos e até capacitações, para ter conhecimento acerca do funcionamento do processo grupal.

Após a colocação de todos estes pontos, queremos frisar que:

"o facilitador de grupo não precisa somente do preparo teórico técnico, mas principalmente de disposição e abertura frente ao outro, entender efetivamente o lado do participante, para trocar, compartilhar e acima de tudo, aprender. Fixar-se numa postura de onipotência impede esse crescimento, afetando diretamente a capacidade de efetuar uma leitura grupal ou melhor compreender a dinâmica do outro e do grupo".

Condutas Básicas
  1. Estabelecer o contrato com o grupo com objetivos e regras específicas, colocando o contexto, espaço e a duração, principalmente envolvendo o grupo na aceitação e no compromisso.
  2. Criar um clima favorável à quebra de resistências, à consolidação de vínculos de confiança e respeito mútuos.
  3. Observar e saber identificar o que o grupo necessita, adequando o planejamento ao desenvolvimento do mesmo e ao objetivo da atividade, para que se tenha condições de lidar com as variáveis que poderão surgir durante o jogo ou dinâmica.
Adequações Técnicas

Ao trabalharmos com grupos é importante desmistificar o conceito que as pessoas têm sobre jogos e técnicas grupais, já que elas têm critérios e não devem ser aplicadas de forma aleatória. A aplicação inconseqüente gera aumento de resistências, além do desrespeito dos participantes. Sua utilização não é apenas lúdica ou para relaxamento, ela compromete os participantes a viver algo que os comova, que os arrebate e que os envolva num conflito, possibilitando a re-significação da aprendizagem, a ampliação dos horizontes e da visão do mundo.

Técnicas grupais - São meios, métodos e processos utilizados para alcançar os objetivos propostos. Origina-se do grego "téchne" que significa "arte", no sentido de adequação da habilidade pessoal num desempenho eficaz. (Minicucci)

Jogos dramáticos - "O jogo é uma atividade que propicia ao indivíduo expressar livremente as criações de seu mundo interno, realizando-as, na forma de representação de um papel, pela produção mental de uma fantasia ou por uma determinada atividade corporal (YOZO).

(Técnicas do Trabalho de Grupo - Agostinho Minicucci / Jogos Dramáticos _ segundo Regina F. Manteiga / 100 jogos para grupos - Ronaldo Yudi K. Yozo).

Dicas na Ampliação de Técnicas
  • Cada grupo apresenta uma natureza própria, se estruturando conforme as características individuais de cada um dos participantes. Portanto, é importante observar e perceber a fase ou o momento em que se encontra cada grupo. Existem grupos que se formam pela primeira vez, outros que já possuem contatos anteriores entre seus elementos e, em todos eles, faz-se necessário desenvolver o vínculo com o facilitador, aplicando técnicas de apresentação que permitirão ao facilitador o conhecimento entre as pessoas e a psicodinâmica do grupo;
  • Desenvolver o conteúdo através de técnicas especificas iniciando com Aquecimento para introdução do Tema, Desenvolvimento, para o seu aprofundamento e Processamento para feedback do que foi aprendido pelo grupo.

Este procedimento permite ao facilitador acompanhar o processo de aprendizagem, facilidades e dificuldades apresentados pelo grupo quanto ao tema, permitindo adequar o planejamento aos objetivos do trabalho e às necessidades do grupo.

Estrutura Básica no Trabalho de Grupo

A estrutura básica de procedimento na aplicação das técnicas durante um trabalho de grupo seguida neste manual, baseia-se nos princípios das 3 metodologias descritas acima e consiste em 3 etapas:

  • A fase de apresentação refere-se ao primeiro contato do facilitador com o grupo e vice-versa. É a fase da formação de vínculos e de tomar conhecimento da psicodinâmica do grupo. É o momento onde se explica a metodologia a ser utilizada, pesquisa-se as expectativas dos participantes, aplica-se técnicas de apresentação e de descontração para relaxar o campo das relações e promover um clima favorável, a fim de dar início ao objetivo do dia/atividade.
  • A fase de desenvolvimento está dividida em 3 momentos: Aquecimento - introduz o tema; Aprofundamento - exploração do tema; e Processamento - feedback sobre o tema. Não se pode esquecer que técnicas devem favorecer um entrosamento entre os participantes e processo de integração do grupo. É nesta fase que geralmente surgem conflitos que o facilitador pode identificar e trabalhar dentro dos limites e especificidades do grupo.
  • A fase de encerramento é o momento final do trabalho onde são realizadas técnicas de fechamento e, normalmente, de avaliação, quando é necessário que se fique atento para que todos os participantes possam comentar o que sentiram, pensaram e perceberam do trabalho como um todo.
Operacionalização
Na operacionalização de cada técnica segue-se certa seqüência:
  • Preparar o grupo para as técnicas aquecendo-o com alguns exercícios corporais de respiração, de alongamento ou de relaxamento e explicar o objetivo do dia.
  • Aplicar a técnica selecionada conforme a função dos objetivos e metas que se pretende no dia.
  • Ao final de cada exercício dedicar algum tempo para os comentários dos participantes.
  • Após os comentários, caso necessário, deverá o facilitador fazer um processamento do que aconteceu, trazendo observações que contribuirão para a melhoria da relação grupal e dos objetivos a serem alcançados.
Recursos Materiais e Humanos
  • É importante que o facilitador conheça o espaço físico e adapte-o à técnica que será utilizada.
  • O material a ser utilizado deve ser preparado com antecedência.
  • Verificar, quando da utilização de música, o funcionamento e manuseio do equipamento.
  • Ter uma diversidade de recursos didáticos para possibilitar a expressão do grupo como: papel de vários tipos (crepom, creactive paper, cartolina), jornal, revistas, lápis de cera, caneta hidrocor, sucata, transparência, etc.
  • Sempre que possível utilizar 2(dois) profissionais com formação técnica para executar trabalho em grupo, construindo uma unidade funcional, onde um teria a função de diretor ou coordenador e o outro de ego-auxiliar ou de co-coordenador.
Sugestão de Roteiro de Oficinas

Roteiro I

  • 1º dia Introdução: (Apresentação das pessoas, levantamento de expectativas, apresentação da oficina, contrato).
  • dia Desenvolvimento: (Integração, Aquecimento para o tema, Aprofundamento, Processamento).

Obs.: A partir do 2º dia pode-se utilizar o mesmo esquema para introduzir outros temas. A técnica de Integração pode ser substituída pelas Técnicas de Aquecimento dos próximos temas.

  • Último dia Encerramento: (avaliação da oficina , técnicas de confraternização).

Roteiro II

  • 1º dia (Íden ao Roteiro I).
  • 2º dia - vivência sobre o tema.
  • 3º dia - Discussão sobre o tema - aprofundamento teórico.

Obs.: Alternar os demais dias com vivências e Discussões.

  • Último dia Encerramento: (avaliação da oficina , técnicas de confraternização).

Estrutura básica para 3 horas:

  1. 30 min Aquecimento;
  2. 2 h 15 Aprofundamentos sobre o tema + intervalo (15 min) + Processamento;
  3. 15 min Encerramento e/ou avaliação;
Segue nos Capítulos seguintes a continuação dessa dinâmica apresentada.
Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn Nacional
SGAN 603, Conjunto "B". CEP: 70830-030, Brasília-DF
E-mail: aben@abennacional.org.br
Fone: (61) 3226-0653