VIOLÊNCIA RIMA COM ADOLESCÊNCIA?

Silvana Maria Pereira
Judith Sena da Silva Santana
Maria das Graças Carvalho Ferriani**

Algumas reflexões para a Enfermagem Brasileira subsidiar sua ação junto os adolescentes

Ao refletirmos sobre a violência na sociedade brasileira e sua presença na vida cotidiana, em especial dos jovens, cabe situar tal reflexão na perspectiva filosófica de pensar a existência do ser humano. Portanto, para iniciar este texto, resgatamos o pensamento de Hannah Arendt, quando afirma que "a mais pura atividade de que os homens são capazes - a atividade de pensar" (ARENDT, 1993, p. 13) deve nos capacitar para refletir sobre o quê estamos fazendo, o quê é objeto de nossa ação.

Entendendo o homem como ser plural, que convive com outros homens, o poder de falar e de ser inteligível resgatando o poder da palavra, faz com que seja possível experimentar o verdadeiro significado das coisas. Portanto, a enfermagem deve pensar sobre o quê faz, no seu compromisso em promover a vida como valor universal, e assim lutar contra todas as formas de violência e destruição da vida no planeta!

Segundo Dadoun (1998, p. 63), o percurso da violência segue o ciclo normal da vida, do nascimento à morte, destacando etapas como infância e adolescência. Já no Gênese, a vergonha da nudez e o pecado original fazem com que o parto seja marcado pelo sofrimento; a árvore do conhecimento tem o fruto proibido; o trabalho é o castigo. Assim, a sexualidade, o trabalho e a racionalidade identificam-se com pecado, maldição, interdição, transgressão - evidenciando um eixo de violência. A alteridade e a identidade representam outro aspecto a ser evidenciado, visto que, normalmente, a violência é percebida como resposta a outra violência. Assim, como diz o autor: "a culpa é do outro" e a vida cotidiana apresenta variadas pequenas alteridades violentas, na qual o "eu" sente-se totalmente atacado e vitimado. Para dar coerência, constrói-se a identidade pessoal, retirando-se o lado violento que cada um traz em si e identificando o outro como o detentor da violência.

À flor da pele e ao fundo da alma - assim é a violência no cotidiano, uma violência que corre e ricocheteia sobre todas as superfícies de nossa existência e que uma palavra, um gesto, uma imagem, um grito, uma sombra que seja, capta, sustenta e relança indefinidamente, e que, no entanto, desta espuma dos dias, abre à alma vertiginosos abismos em mergulhos de angústia que nos fazem dizer: Sou eu mesmo toda essa violência? (DADOUN, 1998, p. 43)

A violência é considerada um fenômeno multicausal que vem atingindo, indistintamente, todos os grupos sociais, instituições e faixas etárias, na qual os indivíduos ora se apresentam como vítimas, ora como agressores. Possui diversas formas de expressões determinadas pela cultura, conceitos e valores utilizados por um povo. Consubstancializa-se em atos com intenção de prejudicar, subtrair, subestimar e subjugar, envolvendo sempre um conteúdo de poder, quer seja intelectual, quer seja físico, econômico, político ou social. Atinge de forma mais hostil os seres mais indefesos da sociedade, como as crianças e adolescentes, e também as mulheres sem, contudo, poupar os demais.

Para alguns estudiosos sobre o assunto, é um fenômeno complexo, polissêmico e controverso, representado por ações humanas de indivíduos, grupos, classes e nações. Assim, "não há um fato denominado violência, e sim violências, como expressões de manifestação da exacerbação de conflitos sociais cujas especificidades necessitam ser conhecidas". Para esses autores, as violências enraizam-se nas estruturas sociais, econômicas e políticas, bem como nas consciências individuais, ocorrendo "numa relação dinâmica entre condições dadas e subjetividade" (MINAYO et al, 1999, p. 14).

No âmbito das relações pessoais e institucionais, ainda segundo a autora, o conceito de violência pode ser compreendido tanto como limitante de direitos, como também como um grito de expressão dos oprimidos. Entendendo a complexidade das relações de dominação e as tentativas para superá-las, surgem experiências concretas tanto de realização, como de negação da cidadania. Assim, as violências manifestam-se através da negação da diversidade e da pluraridade da vida social, ou seja, do direito do outro a ser diferente. Ao se rejeitar essa pluralidade, o que Heller (1990) identifica como unicidade e irrepetibilidade do ser humano, não há espaço para o diálogo, para o convívio, fazendo surgirem as mais diversas formas de opressão e discriminação dos sujeitos. Como já foi colocado, as formas variadas de violência não se encontram presentes apenas nas relações interpessoais, mas fazem parte do cotidiano das mais diferentes instituições que, de alguma forma, exercem poder na sociedade, como a família, escola, igreja, meios de comunicação, Estado, entre outros.

A violência vem sendo alvo de estudos e preocupação da maioria dos profissionais e segmentos da sociedade, não apenas como decorrência do clima de insegurança causado em todas as esferas sociais, mas também pelo custo que vem representando para todos. Nos Estados Unidos, têm-se gasto em torno de 10 bilhões/ano em decorrência ou em medidas contra a violência; no Canadá - 1,6 bilhões; um a cada cinco dias de trabalho perdidos, entre as mulheres americanas, tem a violência como causa. Na América Latina, gasta-se 14,2% do Produto Interno Bruto (PIB); e no Brasil, cerca de 10,5% do PIB (CUSTO da violência, 1998).

Segundo Ravazzola (1998), sociedades onde as diferenças entre as pessoas ganham conotação de hierarquia, constituem-se campo fértil para a prática da violência. Desse modo, podemos afirmar que pessoas ou grupos de pessoas possuem graus de risco diferenciados para o confronto com a violência, na dependência da cultura, sexo, idade, raça, entre outras peculiaridades inerentes a cada ser, sua inserção social ou fase da vida.

Nesse sentido, Foucault (1995), coloca que há 3 tipos de lutas sociais que podem se apresentam de forma isolada, mas quando inter-relacionadas, apresentam prevalência de uma sobre a outra. Uma delas é a luta contra as formas de dominação, seja étnica, social ou religiosa; outra é a luta contra as formas de exploração econômica, que faz com que os sujeitos não apenas se separem, mas não usufruam daquilo que produzem; e a terceira é a luta do sujeito contra o que o submete aos outros, a sujeição e a submissão.

As crianças e adolescentes, por sua maior vulnerabilidade e dependência, são vítimas freqüentes da violência (EINSESTEIN & SOUZA, 1993, p. 95). Embora todos apresentem algum grau de vulnerabilidade, o adolescente, pelas características inerentes ao próprio processo de adolescer, deve suscitar atenção e compreensão especiais. Concordando com Adorno (2000, p. 105-108), o simples fato de ser jovem já implica em viver em situação de perigo, o que não significa que ser jovem é ser violento, pois segundo dados disponíveis "os jovens não são nem mais nem menos violentos que o conjunto da população".

O paradoxo do capitalismo traz o confronto entre conforto e segurança. O conforto é garantido pela quantidade de equipamentos criados para nossa comodidade, e mesmo que todos não tenham acesso, estão presentes no imaginário coletivo. A insegurança é reflexo do próprio sistema capitalista que apregoa o risco profissional, a competição e o individualismo; torna o dia de hoje arriscado, em permanente encontro com o perigo, e o amanhã nebuloso, sem projetos. Então, "se chamarmos de violência tudo aquilo que fere, vivemos um clima de violência psicológica e física" (LA TAILLE, 2000, p. 111).

Os dados referentes à violência, veiculados cotidianamente pela imprensa, fazem com que o sentimento de insegurança e medo crescentes sejam compartilhados por cidadãos de variados grupos e diferentes classes sociais. As formas através das quais as pessoas tentam se proteger são as mais variadas, desde medidas pessoais nos limites do espaço familiar, até a interferência na liberdade de ir e vir. Este sentimento de insegurança também é estendido à sociedade em geral, por um sentimento de que as instituições responsáveis pela segurança não estão cumprindo seu papel, tanto quanto outras ligadas à proteção e à garantia dos direitos sociais como os de sáude, educação e habitação. Este sentimento de desproteção pode gerar reações agressivas e violentas por parte das pessoas que se sentem sob constante ameaça.

Adorno (op cit, p. 101), refere que vários estudos têm demonstrado como "a sociedade brasileira é profundamente autoritária com suas crianças e adolescentes". É comum serem considerados sujeitos sem vontade e sem fala, e terem sua expressão limitada à intermediação pela voz dos adultos. As crianças e adolescentes são considerados capital biológico da família e, como capital, a família deles dispõe, impondo suas regras e preceitos, submetendo-os às condições e à educação que considera adequadas. É fundamental reconhecer que as crianças e adolescentes são sujeitos de direito, têm voz e capacidade para se expressar e não podem ser objetos de poder ilimitado de quem quer que seja.

Isso nos remete ao entendimento de que existem adolescentes nas mais variadas condições de vida e expostos aos mais variados graus de risco, dentre estes, o de serem vítimas ou mesmo de praticarem a violência. o adolescente que possui a proteção da família, da comunidade e do Estado, tem suas necessidades econômicas, afetivas e espirituais supridas; conta com modelos socialmente aceitáveis e apresenta uma probabilidade menor para a prática da violência, ao contrário daqueles que não possuem essas condições.

Deste contexto pode-se compreender a caracterização de crianças e adolescentes em situação de risco daqueles excluídos dos fatores de proteção imprescindíveis ao seu crescimento e desenvolvimento. Representam um risco para si próprio e para a sociedade na medida que lhe foram negadas a capacitação para proteger e cuidar de si ou da sociedade, ou mesmo o acesso a informações e recursos para tal.

Assim, identificando as formas de sociabilidade através das quais os jovens vão construindo sua identidade, torna-se fundamental trabalhar, associado ao conceito de violência, o conceito de cidadania, contrapondo à discriminação valores como a solidariedade.

Segundo Boulding (1981), a violência pode ser classificada em:

  1. estrutural - aquela que advém da conduta política do Estado e seus governantes ao privilegiar alguns grupos em detrimento de outros, determinando as desigualdades e produzindo a exclusão;
  2. cultural - impressa na cultura de um povo, seus preconceitos e valores (racismo, machismo, religião, entre outros);
  3. de resistência - manifestada pelos grupos oprimidos e subjugados como resposta à violência estrutural e cultural sofridas (negros, sem terra, homossexuais, entre outros);
  4. de delinqüência - expressa nas formas mais visíveis ao senso comum, como no crime contra o patrimônio, roubo, assalto, entre outros.

Os atos de violência, portanto, não se restringem às guerras, aos conflitos políticos, étnicos, raciais e religiosos que expressam posições ideológicas diversas. Também não se limitam aos abusos de poder, ao autoritarismo dos governos, à tortura das polícias e dos exércitos. As situações de violência caracterizam-se também pela negação e pela violação dos direitos humanos, racismo, discriminação de gênero e opção sexual, privação da liberdade de expressão, intolerância entre os seres humanos nas relações pessoais e familiares, contra crianças, mulheres e idosos, e exclusão social, dentre outras (LATERMAN, 2000, p. 13).

A violência ocorre nas escolas, nas instituições, nos locais de trabalho, nas ruas, mas acontece principalmente nos lares, podendo ser chamada de violência doméstica, onde a relação de poder e hierarquia entre os adultos e as crianças e adolescentes é muito forte. Em documento do Ministério da Saúde, a violência doméstica contra crianças e adolescentes é considerada como uma violência interpessoal e intersubjetiva; um abuso do poder disciplinar e coercitivo dos pais e responsáveis; uma negação dos valores humanos fundamentais como a vida, a liberdade e a segurança e violação dos direitos essenciais da criança e do adolescente; redução da vítima à condição de objeto de maus tratos; pode prolongar-se por meses e anos, pois como pertence à esfera do privado, reveste-se de sigilo (BRASIL, 1993).

Para denominar algumas situações de violência, o termo abuso tem sido utilizado e popularizado. Conforme Faleiros (2000) o termo abuso refere-se, ao mesmo tempo, ao mau uso e uso excessivo, significando a ultrapassagem de limites e a transgressão. A seguir, sinalizamos as características dos diversos tipos de abuso e seus sinais clínicos, entendendo que podem acontecer de forma concomitante:

  • abuso físico: toda e qualquer ação não acidental, única ou repetida, que produz dano físico ou lesão corporal, através de castigo, surras, açoites, entre outros. No atendimento de saúde deve-se investigar os casos de lesões não explicadas claramente;
  • abuso sexual: é o ato ou jogo sexual praticado por pessoa em estado psicossexual superior ao da criança ou adolescente. Lesões ou edema na região genital sem explicação plausível; criança pequena com infecções urinárias recorrentes podem ser sinais de alerta ao profissional de saúde;
  • abuso psicológico: configura-se pela rejeição, subestima, isolamento e/ou exigência da criança além de sua capacidade, levando-a a construir idéias negativas sobre si e o mundo. A criança ou adolescente pode apresentar comportamento polarizado, deprimido ou exibicionista;
  • negligência: é representada pela privação da criança ou adolescente dos recursos materiais e afetivos para suprir suas necessidades quando há condições para tal. A criança comumente apresenta-se ao serviço de saúde ou à escola, descuidada, com vestes não apropriadas ao clima; demonstra baixa auto-estima e desinteresse pelo seu em torno.

Além do prejuízo específico que cada abuso provoca na criança e no adolescente, somados ou isolados, também podem produzir efeitos psicológicos, por vezes de difícil reversão.

Vítimas da violência doméstica, os meninos e meninas em situação de rua são novamente violentados por outros atores sociais que compõem o espaço das ruas. O fato de serem considerados pela população como perigosos em potencial, legitima os maus tratos sofridos. Contra esses meninos e essas meninas são impingidos todos os tipos de violência, desde a estrutural, a física e a psicológica, passando pela negligência. Os maus tratos aos meninos de rua ocorrem com mais freqüência e gravidade, porque estes pouco ou nada significam para a vida social (EINSESTEIN & SOUZA, 1993, p.96). Entre eles, ainda se encontram a exploração sexual infantil, a drogadição e o trabalho infantil como estratégias de sobrevivência oferecidas pela condição de rua.

A maior preocupação que todos os profissionais devem possuir em relação ao combate à violência contra crianças e adolescentes deve estar baseada no fato de que esta compromete o seu crescimento e desenvolvimento, deixando seqüelas duradouras e a matriz para que o círculo da violência se reproduza contra outras crianças e adolescentes do futuro, pois assim se aprende, na prática, como maltratar.

O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (BRASIL, 1991) estabelece:

Os casos de suspeita ou confirmação de maus tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais (Artigo 13).

Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus tratos contra crianças e adolescentes. Pena - multa de 3 a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. (Artigo 245).

À ninguém é dado o direito de desconhecer a lei. Além disso, é necessário possuir as informações necessárias para identificar os sinais clínicos sobre os tipos de abusos contra a criança e o adolescente, para a partir daí, desencadear ações articuladas multiprofissionais, intersetoriais e interinstitucionais e que envolvam família, comunidade, poder público, vítima e agressor, para a prevenção e combate da violência, bem como assistência às vítimas.

Essa realidade, faz com que o jovem construa uma noção de violência, tendo por base o que realmente acontece no seu cotidiano; de sua consciência de classe e de sua posição na sociedade; das relações na família e na escola; das mensagens que capta da mídia; de sua experiência com o fenômeno; do imaginário coletivo; de como subjetivamente processa esses estímulos. Assim, a consciência dos jovens sobre o fenômeno da violência tem o peso das idéias que são hegemônicas na sociedade e que refletem suas experiências e vivências enquanto grupo, estrato social, gênero e etnia.

Princípios a serem considerados na atenção à saúde em situações de violência os adolescentes

  • Considerar as diferentes formas de sociabilidade, através das quais os jovens vão construindo sua identidade e assim, contrapor-se às situações de violência, promover o conceito de cidadania e de valores como o respeito, a dignidade, a justiça social e a solidariedade;
  • Promover o entendimento da necessidade de respeitar a diversidade do ser humano e suas diferentes manifestações, sejam étnicas, religiosas, de gênero, opção sexual, econômicas, culturais e/ou sociais.

Objetivo

Promover a reflexão e a sensibilização entre os profissionais de enfermagem, sobre o fenômeno da violência, buscando entender toda sua multidimensionalidade, e assim organizar sua ação de forma adequada a prevenir todas as formas de violência que incidem em crianças e adolescentes, com vistas a atendê-los adequadamente.

Apoio Social

  • Participar da elaboração e fiscalizar a implantação e o cumprimento de políticas públicas que contemplem ações para crianças e adolescentes;
  • Realizar oficinas para reflexão sobre violência e adolescência, com a participação de adolescentes, de equipes multiprofissionais e interinstitucionias e de representantes da comunidade, promovendo o debate sobre estratégias e articulação para ações conjuntas no espaço local;
  • Selecionar os assuntos para discussão, a partir da identificação das múltiplas dimensões do fenômeno da violência, que afeta o adolescente de forma geral e específica;
  • Identificar e buscar parceria na comunidade para desenvolver atividades para prevenção de todas as formas de violência;
  • Identificar áreas de risco, através de mapeamento da violência local, incluindo a sexual, doméstica, institucional, dentre outras;
  • Articular ações com os Conselhos Municipais de Saúde.

Práticas gerenciais e de participação favoráveis

  • Orientar os diferentes profissionais, para compreender o fenômeno da violência e saber como agir em diferentes situações;
  • Criar um sistema de registro de casos, com formulário próprio para facilitar o acompanhamento1;
  • Registrar as seguintes informações:
    1. Identificação da vítima: data de nascimento / sexo / estado civil / raça / ocupação / escolaridade / bairro / município / atividade sexual antes (sim/não) / gesta / para / abortamentos / nome do pai / nome da mãe ou responsável / idade / raça / ocupação / escolaridade / situação conjugal;
    2. Acompanhante: nome / tipo de relacionamento com a vítima (parente, vizinho, professor ou outro) / endereço;
    3. Dados da ocorrência: data e hora da violência / local (residência / rua / outro) / tipo (abuso físico / psicológico / sexual / negligência) / sinais e sintomas que levam à suspeita / agressor (conhecido / desconhecido / múltiplos / parente) / raça do agressor / intimidação (tipo de arma / força física / ameaça) / vítima utilizou álcool ou outra substância psicoativa (sim/não/tipo) / agressor utilizou álcool ou outra substância psicoativa (sim/não/tipo) / traumas físicos (sim/não/tipo) / breve história da ocorrência / testemunhas / boletim de ocorrência policial (data / delegacia) / realizado laudo do Instituto Médico Legal (sim/não) / intervalo de tempo entre o fato e a procura do serviço de saúde;
    4. Atendimento após a violência: orientação sobre os direitos legais (sim/não) / encaminhamento para atendimento ambulatorial, apoio psicossocial e jurídico / notificação do Conselho Tutelar / profissionais que atenderam;
  • Divulgar os números de atendimento para dar maior visibilidade ao fenômeno;
  • Articular a capacitação dos diversos profissionais com as Secretarias de Saúde, Educação, Justiça e Segurança Pública, dentre outras;
  • Sistematizar o atendimento para o controle de crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, como estratégia de identificação e acompanhamento de casos de maus tratos.

Suporte familiar

Identificar os serviços disponíveis na comunidade para dar suporte à família para enfrentar as situações de violência doméstica.

Acolhimento dos sujeitos e de suas necessidades e demandas

Tornar o atendimento prioritário e individualizado, acolhendo o adolesccente de forma integral, privativa e sigilosa.

1 - Em situação de violência sexual, consultar texto específico.

Práticas educativas e de comunicação em saúde:

  1. Promover e divulgar a importância do estabelecimento do vínculo afetivo e do apego entre pai, mãe e filhos para o desenvolvimento saudável e prevenção da violência doméstica;
  2. Promover a auto-estima dos adolescentes como forma de construção da autonomia e cidadania, e de reconhecimento de seus direitos;
  3. Identificar, juntamente com as crianças e adolescentes, quais as atividades prazerosas a serem realizadas individual e coletivamente, como forma de desenvolvimento pessoal;
  4. Incentivar a prática de esportes, afim de liberar tensões, desenvolver a habilidade e as relações em grupo;
  5. Promover eventos que, de forma contínua, possam avaliar a situação local da violência relacionada à infância e adolescência, envolvendo profissionais e família;
  6. Reconhecer, discutir e promover as possibilidades de resolução de conflitos de forma não violenta (práticas não violentas).

Acompanhamento físico-emocional

  • Prestar assistência de qualidade às vítimas de violência;
  • Capacitar os profissionais e pessoas da comunidade para identificar sinais de maus tratos, abandono, abuso, negligência e outras formas de violência;
  • Realizar visitas domiciliares para conhecimento do contexto onde se desenvolve a violência e tratar as singularidades de cada caso;
  • Investigar junto às famílias, os casos suspeitos de maus tratos;
  • Notificar ao Conselho Tutelar ou ao Juizado da Infância e Adolescência, todos os casos de suspeita ou comprovação de maus tratos contra crianças e adolescentes;
  • Promover a organização de serviços de acompanhamento às famílias expostas às situações de violência, incluindo os agressores;
  • Identificar situações de violência institucional contra crianças e adolescentes, e desenvolver campanhas para extinguí-la e prevení-la.

 

 

Referências Bibliográficas

ARENDT, Hannah. A condição humana. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991.

BOULDING, E. La violencia y sus causas. Paris: UNESCO, 1981.

BRASIL. Ministério da Justiça. Estatuto da criança e do adolescente: Lei nº 8.069, de 13 de junho de 1990. Brasília, 1991.

BRASIL. Ministério da Saúde. Violência contra a criança e adolescente: proposta preliminar de prevenção e assistência à violência doméstica. Brasília, 1993.

CUSTO da violência. Folha de São Paulo, São Paulo, 22 jul. 1998. Cotidiano, p.3.

DADOUN, Roger. A violência: ensaio acerca do "homo violens". Rio de Janeiro: DIFEL, 1998.

EINSENSTEIN, E.; SOUZA, R. P. de (Org.). Situações de risco à saúde de crianças e adolescentes. Petrópolis: Vozes, 1993.

FALEIROS, Eva T. Silveira. Repensando os conceitos de violência, abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Brasília: MJ-SEDH-DCA/UNICEF, 2000.

FOUCAULT, Michel. O sujeito e o poder. In: RABINOW, Paul; DREYFUS, Hubert. Michel Foucault: uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro: Forense, 1995. p. 231-249.

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

_____. Justiça social e seus princípios. In: HELLER, Agnes; FÉHER, Ferenc. A condição política pós-moderna. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1998. p.171-190.

LATERMAN, Ilana. Violência e incivilidade na escola. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2000.

MINAYO, M. C. S. et al. Fala galera: juventude, violência e cidadania. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.

RAVAZZOLA, M. Cristina. Violencia familiar: el abuso relacional como un ataque a los derechos humanos: sistemas familiares. Buenos Aires : [s.n.], 1998. p. 29-41.

Leitura complementar recomendada

BEZERRA JUNIOR, B. Solidariedade contra violência. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos juventude, saúde e desenvolvimento. Brasília : Ministério da Saúde, v. 1, p.136-146, 1999.

DESLANDES, Suely F. Prevenir a violência: um desafio para profissionais de saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1994.

KNOBEL, M. Adolescência normal. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

MAY, R. Poder e inocência: uma análise das fontes da violência. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE. A saúde no Brasil. Brasília: OPAS/OMS, 1998.

PHEBO, Luciana. Violência como fato epidemiológico. Saúde em Foco: violência social: o olhar da saúde, Rio de Janeiro, ano 5, n. 13, ago. 1996.

SEIXAS, Ana H. Abuso sexual na adolescência. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos juventude, saúde e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde, v. 1, p.117-135. 1999.

SOUZA, Sinara de L. Violência vivenciada por adolescentes trabalhadores de rua. Salvador, 1999. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) _ Escola de Enfermagem, Universidade Federal da Bahia.

ZALUAR, Alba. Gangues, galeras e quadrilhas: globalização, juventude e violência. In: VIANNA, Hermano (Org). Galeras cariocas: territórios de conflitos e encontros culturais. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1997. p. 17-59.

 

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