DINÂMICAS DE EDUCAÇÃO PARA A PAZ


Rosângela Azevedo Corrêa

Nos tempos atuais estamos vivendo momentos de crise que são percebidos em diversas dimensões: pessoal, social e planetária. Os conflitos gerados e vivenciados nesses momentos de crise podem ser freqüentemente agravados, dificultando a superação desta, de maneira equilibrada e sustentável.

Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, vivemos cercados pela violência, a guerra (explícita e implícita dentro dos países e dentro de nós) e a opressão, que cobram um preço altíssimo em termos de vidas humanas e sofrimentos de toda sorte. Mas não podemos acreditar que não existirá futuro ou que não somos capazes de superar esta situação de angústia coletiva; cada um de nós deve fazer todo o possível para que, ao entrar no novo milênio, leguemos às gerações futuras certos valores e certas soluções já encaminhadas por diferentes organismos governamentais e não governamentais para combater as injustiças sociais, a pobreza, a miséria, a fome, a exclusão, a discriminação, a destruição do meio ambiente, a proliferação das drogas e das armas e, sobretudo, o recurso à força como forma de resolução de conflitos.

Assim sendo, faz-se necessário a busca de resolução de conflitos de forma criativa e positiva. Para tal, entendemos que os mesmos devem ser olhados numa perspectiva de totalidade, percebendo-se os diversos aspectos, relações e inter-relações neles presentes e propondo situações que sejam inclusivas. Essas alternativas de resolução de conflitos devem orientar-se por princípios de cooperação, solidariedade, igualdade e respeito, com vistas à construção de uma nova ética.

A educação tem um papel fundamental nesse processo, possibilitando a sensibilização dos educandos para as questões sociais, ambientais e relacionais de sua realidade local e global, contribuindo para a expansão de sua percepção e consciência, criando condições para sejam mais autônomos e criativos e com capacidade de gerenciar conflitos, propondo alternativas que incluam essas dimensões, priorizando a vida e a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável.

A proposta da Cultura da Paz pretende mobilizar pessoas do mundo inteiro para buscar novas formas de convivência baseadas na conciliação, na generosidade, na solidariedade, no respeito absoluto aos direitos humanos e à diferença, a rejeição de toda forma de opressão e de violência, a justa distribuição dos recursos naturais e humanos, o livre fluxo de informações e o compartilhamento do conhecimento. Uma das formas que temos trabalhado esta cultura da paz é através do lúdico, tanto para crianças como para adultos, dentro e fora da escola, onde brincar passou a ser uma forma de sermos nós mesmos e procurarmos a formação de grupos sólidos e solidários, capazes de resolver os seus conflitos de forma não-violenta.

Nós escutamos todos os dias nos meios de comunicação sobre notícias de violência no mundo inteiro, e nos sentimos impotentes, sem respostas para solucionar os problemas que envolvem a violência na família, na rua, entre os países e entre as pessoas. Chegamos até criticar ou condenar esta situação ou nos escandalizamos pelos atos de violência, sem realmente aprofundarmos na raiz que tem como um dos seus maiores problemas a injustiça e a violência institucional e simbólica.

Por esta razão é que propomos um trabalho que considera que educar para a paz significa uma mudança de conteúdos e métodos em todo o âmbito educativo, não só na escola, mas para todas as pessoas com a coragem de construir um mundo melhor.

Acreditamos numa forma de trabalho horizontal, participativo e lúdico, que propõe conteúdos a partir de uma experiência e uma realidade concreta que todos podemos vivenciar na própria pele e sentir como uma experiência pessoal e próxima, para desde aí aprofundar nela e analisá-la.

Acreditamos que como as pessoas e os grupos têm o seu processo, assim também é, com a educação para a paz e com a resolução de conflitos: é preciso seguir passos. É como uma construção de uma escada, porque cada degrau está baseado na construção do anterior, não podemos construir o 6º degrau sem termos construído os cinco degraus anteriores. Por este motivo é que temos tantos fracassos, ao tentarmos iniciar pelos problemas de comunicação, tomada de decisões ou resolução de conflitos, sem termos construído um grupo.

Neste sentido, propomos formar um grupo no qual as pessoas saibam seus nomes, se conheçam, tenham confiança em si mesmas e nas demais, saibam valorizar-se e encontrar os valores positivos nas outras, e sejam capazes de aportar tudo de forma solidária e equilibrada ao enriquecimento do grupo.

Não vamos ficar "olhando os nossos umbigos" para que nos sintamos entre amigos; a proposta é criar um grupo forte que é mais que a soma de individualidades, para que possamos continuar subindo a escada que mencionamos. Podemos enfrentar dois desafios importantes na educação para a paz: os problemas de comunicação e a resolução de problemas.

O primeiro desafio é buscar uma comunicação efetiva. Aprender a se comunicar, a utilizar os diferentes canais que se tem e reconhecer os canais das demais pessoas, ou seja, aprender tanto a emitir uma mensagem, como recebê-la num processo ativo e enriquecedor para todos, tudo isso utilizado na tomada de decisões, usando como mecanismo o consenso.

Não entendemos o consenso como uma mistura, onde você deixa as suas propostas quando as considera importantes ou como algo que funciona bem quando você está de acordo. Trata-se de um mecanismo que começa a ter sentido precisamente quando existem posições diferentes, transformando-se em alguma coisa, que fugindo de maiorias e votações, busca a forma de que todo mundo seja escutado, que a sua proposta seja acolhida e alcançar uma decisão que possa ser aceita por todas as pessoas.

O segundo desafio e interminável degrau na nossa escada que propomos para subir em educação para paz é a resolução de conflitos. Começar de exemplos para aprender a interiorizar valores de distanciamento e calma nos conflitos. Aprender a analisá-los, tentando vê-los desde o maior número possível de pontos de vista. Estimular a nossa imaginação na busca de soluções construtivas e não-violentas. Não para ficarmos só aí, senão que pouco a pouco vamos entrando nos nossos conflitos e naqueles que nos rodeiam. Não se trata de criar um mundo distante da realidade. Trata-se de aprender a enfrentar os conflitos cotidianos para que se tornem um trampolim de transformação social, de compromisso.

Precisamos trabalhar para encontrar uma coerência e um caminho entre nosso trabalho pessoal e a mudança social. Desde aí e para aí é que trabalhamos com esta proposta.



Os Jogos

Tradicionalmente utilizamos o jogo no grupo como uma forma de "passar o tempo", de mudar o ritmo, de criar uma atmosfera relaxada. Entretanto, os jogos como experiência de grupo são um fator importante na sua evolução, em que o conhecimento dos participantes, a afirmação, a confiança e a comunicação interpessoal abrem a porta a novas realidades como a cooperação e a solução de conflitos de forma criativa. Os mecanismos utilizados baseiam-se em valores, estimulam um tipo de relações ou provocam situações concretas que poucas vezes valorizamos.

Nós estamos muito influenciados por esta sociedade que nos leva à competição e a uma inclinação forte a ponto de utilizarmos um tipo de jogo também competitivo. Questionar a competição supõe colocar em evidência um fator muito importante da sociedade. Descobrir novas formas de relação e ação que quebrem esta barreira pode ser também um instrumento de mudança na educação e na sociedade.

As relações vividas nas situações de jogo podem ser levadas a outras situações concretas da vida. É importante introduzir novas regras nos jogos em que a competição seja um fator importante, de forma que os sentimentos dos adversários como superior/inferior se tornem sentimentos para a realização de uma comunicação e cooperação efetiva, a conquista de objetivos comuns ou a busca do prazer pelo próprio jogo.

Portanto, o jogo como instrumento para quebrar as relações competitivas baseia-se em:

  • Poder ajudar a fazer consciente uma situação em que o grupo vive inconscientemente, seja interna ou do grupo em relação ao exterior.
  • É um campo de experimentação das próprias possibilidades, das capacidades pessoais de comunicação, da ação que pode ajudar a uma afirmação pessoal e coletiva.
  • Como experiência vital, que proporciona elementos para resolver os conflitos com novas formas. O jogo pode ser também, em si mesmo, uma forma de superar um conflito.

É preciso considerar que os sujeitos do jogo são aqueles que participam nele, por isto é importante deixar uma margem aberta para que o próprio grupo possa construir, remodelar, mudar, inventar... novos jogos. Os jogos que tradicionalmente têm sido competitivos podem ser transformados em cooperativos, e sempre é possível descobrir novos aspectos, com um pouco de imaginação.

Te convidamos a viver esta experiência.

1. Jogos de Apresentação

Trata-se de jogos muitos simples que permitem uma primeira aproximação e contato. Fundamentalmente, são jogos para aprender os nomes e/ou alguma característica mínima dos integrantes do grupo. Quando os participantes não se conhecem, é o primeiro momento para ir criando as bases de um grupo que trabalha de forma dinâmica, horizontal e distendida.

Observação: ver "Dinâmicas de Apresentação"



2. Jogos de Afirmação

São jogos em que o papel prioritário é a afirmação dos participantes como pessoas e do grupo como tal. No jogo, são apresentados os mecanismos em que se baseia a segurança em si mesmo, tanto internos (auto-conceito, capacidades, etc.) como em relação às pressões exteriores (papel no grupo, exigências sociais, etc.).

Trata-se, às vezes, de fazer conscientes as próprias limitações. Outras, de facilitar o reconhecimento das próprias necessidades e poder expressá-las de uma forma verbal e/ou não-verbal, potencializando a aceitação de todos no grupo. E ainda outras, de favorecer a consciência do grupo.

O desenvolvimento dos jogos ressalta a afirmação pessoal no grupo e implica em inumeráveis ocasiões na negação ou na desqualificação do outro, em lugar de basear-se na própria realidade. Os jogos de afirmação tentam potencializar os aspectos positivos das pessoas ou do grupo, para favorecer uma situação em que todos se sintam bem, num ambiente promotor. A afirmação é a base de uma comunicação livre e posteriormente de um trabalho em comum, em condições de igualdade.

JOGOS:
JOGO: "Abraços Musicais Cooperativos"
Definição: Trata-se de saltar no ritmo da música, abraçando-se a um número progressivamente maior de companheiros até chegar a um grande abraço final.

Objetivos: Favorecer o sentimento de grupo desde a chegada positiva de todos.

Material: Um aparelho de música ou um instrumento musical.

Ordem de partida: Ninguém deve ficar sem ser abraçado.

Desenvolvimento:

1. Uma música soa, os participantes começam a dançar; quando a música para, cada pessoa abraça a outra. A música continua, os participantes começam a dançar, se querem, podem dançar com o companheiro. Na seguinte vez que a música parar, se abraçam três pessoas. O abraço vai ficando cada vez maior até chegar a um grande abraço final.

Avaliação: O jogo tenta romper o possível ambiente de tensão que pode haver no princípio de uma sessão ou um primeiro encontro. Cada participante expressará como se sente e como viveu o jogo.


3. Jogos de Comunicação

São jogos que buscam estimular a comunicação entre os participantes e tentar quebrar a unidirecionalidade da comunicação verbal no grupo em que normalmente estão estabelecidos os papéis.

Estes jogos pretendem favorecer a escuta ativa na comunicação verbal e, por outro lado, estimular a comunicação não-verbal (expressão gestual, contato físico, olhar, etc.) para favorecer novas possibilidades de comunicação. O jogo vai oferecer para elo, um novo espaço com novos canais de expressão de sentimentos em relação ao outro e a relação no grupo. Os jogos quebram os estereótipos de comunicação, favorecendo relações mais próximas e abertas.

JOGOS:

JOGO do Zoológico

Definição: Trata-se de que cada pessoa encontre o seu par, mediante a emissão de um som e os movimentos do seu animal.

Objetivos: Conseguir uma cooperação entre o casal para poder encontrar-se o quanto antes. Favorecer a sensibilidade e a escuta.

Material: Papel com os nomes de animais (dois por casal).

Desenvolvimento:

  1. Cada participante recebe um papel com um nome de um animal escrito nele. O jogo consiste em que cada um encontre o seu par, utilizando como único meio a emissão de um som e os movimentos do seu animal.

Avaliação: cada pessoa tentará explicar como se sentiu, quais foram as dificuldades para encontrar o seu par, etc.


4. Jogos de Cooperação

São jogos em que a colaboração entre os participantes é um elemento essencial. Coloca em questão os mecanismos dos jogos competitivos, criando um clima distendido e favorável à cooperação no grupo. Se trata de que todos tenham possibilidades de participar e, em todo caso, não fazer exclusão/discriminação no ponto central do jogo. Nos jogos cooperativos, não existe o estereótipo de "bom" ou "mau" jogador; o grupo funciona como um conjunto em que cada pessoa pode aportar diferentes habilidades e/ou capacidades.

Em muitas ocasiões existe uma finalidade comum no jogo, isto não quer dizer que este se limite a buscar esta finalidade, senão a construir um espaço de cooperação criativo, em que o jogo é uma experiência lúdica.

JOGOS

JOGO: "Pintura Alternativa"
Definição: Trata-se de realizar uma pintura em conjunto.

Material: Papel, pincéis e tinta.

Consignas de partida: O grupo deve estar em silêncio.

Desenvolvimento:

  1. Colocar o papel e o material no centro da sala.
  2. Cada pessoa vai fazendo um traço no papel até que todos consigam terminar a "obra".

Avaliação: Se analisa os pensamentos e sentimentos vividos (cooperação, conflito, subordinação). Valorizará os obstáculos e a riqueza da cooperação.


5. Jogos de Distensão

São jogos que fundamentalmente servem para liberar energia, fazer rir, estimular o movimento, etc., no grupo. O movimento e a risada atuam nestes jogos como mecanismos de distensão psicológica e física em todas as suas inter-relações.

Estes jogos tentam também eliminar a competitividade, em que a diversão se faz à custa da outra pessoa, para se centrar em situações em que todos participam, ou uma mudança contínua de papéis que propicia a "expansão" do grupo.

JOGOS
JOGO: "A Caixa Mágica"

Definição: Trata-se de ir tirando diversas coisas de uma caixa, de forma imaginária.

Objetivos: Estimular a imaginação e a capacidade gestual.

Consignas de partida: De uma caixa mágica nós podemos tirar qualquer coisa.

Desenvolvimento:

1. As pessoas ficam ajoelhadas e colocam o rosto entre as pernas. O animador diz: "se abre a caixa e dela saem ... (por exemplo: motos). Todos os participantes imitam o objeto mencionado e faz o som e gestos correspondentes. Quando se diz: "fecha a caixa", todos voltam à posição inicial. A caixa abre de novo e sairá outros objetos: cachorro, borboletas, etc.

JOGO: "Colo Musical"
Definição: Trata-se de ficar sentado, cada qual no colo de quem está atrás.

Objetivos: Favorecer a cooperação e passar um momento agradável.

Material: Aparelho de música ou instrumento musical.

Desenvolvimento:

Todos ficarão de pé, formando um círculo na mesma direção, muito juntos e com as mãos na cintura da pessoa que está na sua frente. Quando começa a música, começam a andar. Ao parar a música, tentam sentar no colo ou sobre os joelhos da pessoa que tem atrás. Se o grupo inteiro consegue se sentar sem que ninguém caia, o grupo ganha. Se alguém cair, será a gravidade que ganhará.


6. Jogos de Resolução de Conflitos

São jogos que propõem situações de conflito ou que utilizam algum aspecto relacionado com estes.

Constituem uma ferramenta importante para aprender a descrever conflitos, reconhecer suas causas e seus diferentes níveis e interações (pessoal-social, grupal-institucional), como buscar possíveis soluções.

Alguns destacam na análise de situações conflitivas, outros nos problemas de comunicação no conflito, nas relações poder/submissão, na tomada de consciência do ponto de vista dos outros, etc.

Os jogos de resolução de conflitos não só servem como exercício, mas constituem em si mesmos, experiências que contribuem para as pessoas e para o grupo com elementos que ensinam a enfrentar os conflitos de uma forma criativa.

A evolução do grupo leva a uma situação em que se pode desenvolver sua capacidade de resolver conflitos. A base que supõe o avanço nas relações dialéticas afirmação-insegurança, conhecimento interpessoal-ignorância do outro, confiança-individualismo, comunicação e falta de comunicação, cooperação-relações competitivas, supõe de fato uma situação nova em que os conflitos não têm porquê ser algo que se deva evitar, senão que devemos resolvê-lo de forma criativa. Para isto, a vivência "de estar dentro" e o distanciamento como mecanismo de análise nos permite ter uma atitude mais afetiva. A seguir, apresentamos alguns jogos que podem ser realizados em sala de aula ou em qualquer situação que possamos superar o conflito através destes jogos. Estes jogos estão baseados no trabalho de Paco Cascón e Carlos Martín, integrantes do Seminário de Educação para a Paz da Associação Pro-Direitos Humanos da Espanha.

JOGOS
JOGO: Cartões Descritivos
Definição: Trata-se de realizar a descrição de uma série de situações de conflito e relacioná-las entre si, tentando tirar outras conclusões práticas (tudo a partir de figuras, desenhos, fotografias ou recortes de revistas ou jornais).

Objetivos: Estimular a capacidade de descrição e análise de situações conflitivas e estabelecer relações entre os diferentes níveis de conflito (pessoal, social...).

Participantes: Se o grupo é muito grande, trabalhar em grupos pequenos.

Material: Figuras, desenhos e fotografias ou recortes de revistas ou jornais.

Desenvolvimento:

  1. Descrever o mais completo possível a primeira figura (o que vê e o que sente). Eventualmente, o animador pode fazer alguma pergunta ou descobrir algum aspecto. Depois vem o debate até que todos falem.
  2. Proceder da mesma forma com cada uma das figuras.
  3. Em seguida, buscar relações entre as figuras. Deixar que o debate se estabeleça.
  4. Logo, cada pessoa explica suas conclusões, suas interrogantes, seus novos descobrimentos.

Nota para o facilitador:

Evitar dar a própria opinião ou fazer chegar a tal.

JOGO dos Triângulos
Definição: Consiste em chegar a uma síntese a partir de uma situação de conflito.

Objetivos: Aprender a valorizar as situações de conflito e estabelecer possibilidades novas de resolução.

Participantes: Se o grupo é grande, trabalhar em pequenos grupos.

Material: Série de figuras, fotografias, desenhos, caricaturas e recortes de jornal ou revista.

Desenvolvimento:

  1. O grupo descreve a série de figuras. Logo, tenta resumir em uma ou duas palavras a situação descrita (p.e.: "dependência", "atropelamento", "injustiça", violência verbal", etc ...)
  2. Os participantes buscam situações similares que tenham vivido, descrevendo-as e escrevendo num quadro em colunas:
    • os sentimentos vividos.
    • as conseqüências da atitude tomada (tanto no plano da eficiência prática, como na evolução pessoal interior).
  3. Debater as possíveis soluções para os conflitos pessoais e analisar se estas soluções foram adequadas para as possibilidades de cada um.
  4. Logo, tentam buscar e explicar, uma outra classe de soluções (p.e.: "autonomia", "ser eu mesmo", "compaixão" ...), a partir das vivências de todos. Anotam os resultados.

Avaliação: Discutir como o processo para a paz constitui na busca de soluções sem violência, pois o conflito é positivo e necessário para o crescimento do ser humano. O conflito é o processo lógico que ocorre quando tentamos uma tarefa comum, e na solução do conflito está o caminho para conseguir a paz "positiva".

JOGO: "Gato e Rato"
Definição: Trata-se de interiorizar o conto e ir vivendo-o, a medida que vai se lendo.

Objetivos: Reflexionar sobre as relações de superioridade-submissão e definir os elementos que devem existir para que uma relação seja equilibrada.

Participantes: Em grupos.

Observação: Ler atentamente, mas com animação, e marcar largas pausas entre uma seção e outra, com a intenção de deixar tempo para sentir a situação.

Desenvolvimento:

Narração do seguinte texto:

"Fecha os olhos e imagina que você saiu desta sala e anda por uma calçada muito longa. Chega na frente de uma casa velha e abandonada. Você já está no caminho que conduz à ela. Suba as escadas de uma porta de entrada. Empurre a porta, que ao abrir, chia; olhe ao redor, para o interior de um quarto escuro e vazio.

  1. De repente, você tem uma sensação estranha. O seu corpo começa a tremer e arrepia, e você sente que vai ficando pequeno. Por enquanto você só chega à altura do marco da janela. Continua diminuindo até o ponto que o teto parece que está agora muito longe, muito alto. Você só chega ao tamanho de um livro, e continua diminuindo.
  2. Agora você muda de forma. Seu nariz alonga cada vez mais e o seu corpo se enche de pêlo. Neste momento você está com quatro patas e você entende que se transformou num rato.
  3. Olhe ao seu redor, na sua situação de rato. Sentado no extremo do quarto. Depois vê a porta mover-se, ligeiramente.
  4. Entra um gato. Ele senta e olha ao redor lentamente, com ar indiferente. Levanta e avança tranqüilamente pelo quarto. Você está imóvel, petrificado. Você escuta o seu coração bater; sua respiração fica entrecortada. Olhe o gato.
  5. Acaba de vê-lo e vai na sua direção. Se aproxima lentamente, muito lentamente. Depois ele pára diante de você, se abaixa. O que você sente? O que você pode fazer? Neste instante, que alternativas você tem? O que você pode fazer? Um longo silêncio...
  6. Exatamente neste instante em que o gato pretende se jogar para cima de você, seu corpo e o dele começam a tremer. Você sente que se transforma de novo. Desta vez você cresce. O gato parece que fica cada vez menor e muda de forma. Agora você tem o mesmo tamanho de antes... agora ele é menorzinho.
  7. O gato se transforma em rato e você se converte em gato. Como você se sente agora que você é grande? E agora que você não está encurralado, o que te parece o rato? Você sabe o que sente o rato? E você, o que sente agora? Decida o que você vai fazer e faça. Um longo silêncio... Como você se sente?
  8. Tudo volta a começar. A metamorfose. Você cresce mais e mais. Você quase recupera a sua estatura e agora você se converte em você mesmo. Saia da casa abandonada e volte a esta sala. Abra os olhos e olhe ao teu redor.

Avaliação: Faça a reflexão sobre o que é que acontece nas relações quando uma pessoa encontra-se numa situação de superioridade. Analisar a relação entre a força e o direito.

Observação: A partir de aqui podem estudar as relações internacionais: a relação de força entre os países ricos e pobres; ou as relações entre as pessoas ricas e pobres; ou entre pais e filhos; ou entre o professor e o aluno.

JOGO: "Compatriotas, Extrangeiros, Diferentes"
Definição: Trata-se de conhecer as realidades de caráter nacional, regional ou local com os sentimentos que isto implica.

Objetivos: Quebrar os preconceitos com respeito às pessoas de outras nacionalidades, cor ou diferenças de qualquer tipo.

Participantes: Pessoas de diferentes nacionalidades ou características culturais.

Material: Papel, caneta e gravadora.

Observação:

Obter respostas claras sobre:

  • O que é um estrangeiro?
  • O que é um...? (segundo a nacionalidade, etnia ou naturalidade majoritária do grupo ou o tema a ser tratado)
  • O que é ser... ? (negro, mulher, indígena, ou qualquer grupo que vive a discriminação social)

Desenvolvimento:

1. Os participantes realizam um questionário aos residentes das diversas nacionalidades, etnia ou naturalidade, que terão que responder a essas duas perguntas. Depois, se analisará o questionário e se comparará as respostas obtidas. Caso no grupo não existam pessoas com as características em relação ao tema eleito pelo grupo, podem realizar o questionário fora do grupo e voltar com as respostas obtidas para serem discutidas no grupo original.

Avaliação: Trata-se de discutir as idéias que temos sobre os estrangeiros e vice-versa ou pessoas que tenham diferenças físicas-intelectuais-culturais em relação a nós mesmos. Quais são as conseqüências sobre as realidades nacionais ou locais que se observam?

JOGO: "Fotos Conflitivas"
Definição: Consiste em buscar soluções a uma situação de conflito proposto.

Objetivos: Tomar consciência de como diferentes pessoas vivem de forma diferente uma situação conflitiva. Imaginar formas criativas de solucionar o conflito.

Participantes: Dividir os grupos com 3 a 5 pessoas.

Material: Uma ou várias fotos com situações de conflito.

Desenvolvimento:

1. Divide-se o grupo em subgrupos de 3 a 5 participantes. Num lugar visível, coloca-se a foto com uma situação conflitiva. Cada grupo discutirá durante um tempo e logo representará em forma teatral, para o resto do grupo, as possíveis soluções que dariam às pessoas retratadas na foto no conflito em questão. Logo expõe ao grupo de forma objetiva sua decisão. Cada grupo pode concentrar-se em uma das pessoas que participam no conflito.

Avaliação: Pode contrastar as diferentes situações representadas por cada grupo com a realidade, discutindo porque elegeram essa e não outra, e dialogando sobre as soluções mais convenientes.

Observação: Não se trata de chegar a uma solução concreta aceita pelo grupo, apesar que isto possa acontecer.

JOGO: "Cadeia de Transmissão"

Definição: Trata-se de ir contando uma situação, por exemplo, um conflito numa cadeia de transmissão oral.

Objetivos: Desenvolver a capacidade de escuta e síntese. Estimular o debate sobre os problemas de comunicação.

Participantes: Grupo de 8 a 20 participantes.

Desenvolvimento:

  1. Várias pessoas participantes ficam fora do grupo em outra sala. Um membro do grupo conta às outras um conflito, preferentemente com muitos detalhes e não muito curto. É melhor que esteja escrito num papel.
  2. Uma das pessoas que escutou chama a outra que está fora e conta o conflito; uma vez que terminou, esta chama a outra pessoa e faz a mesma coisa. Assim sucessivamente, até que todas as que estavam fora entrem na sala. No final, se comparará o conflito original com o que resultou depois.

Avaliação: Cada participante poderá expressar as dificuldades que tiveram na transmissão e podem estabelecer analogias com a vida cotidiana.

JOGO: "Escutando"
Definição: Algumas pessoas escutam o desenvolvimento de um conflito e logo tentam reconstruí-lo.

Objetivos: Aprender a escutar e descrever um conflito.

Desenvolvimento:

  1. Vários participantes saem de uma sala ou se colocam atrás de um biombo ou de costas para o grupo, para não ver o que acontece. Enquanto isso, o grupo desenvolve um conflito com muito barulho, que foi preparado anteriormente. Os que saíram escutam e tentam captar o que passa no grupo, reconhecem os ruídos, etc.
  2. Quando o conflito acaba ou pára (depois de 5 ou 10 minutos), os que estão fora voltam ao grupo e tentam reconstituir o conflito e expressar como o viveram desde fora.

Avaliação: Pode-se abrir o diálogo sobre o processo de escuta no conflito, confrontando com as situações reais de quem "fala porque escutou falar"; como diz o ditado: "escutou o galo cantar mas não sabe aonde foi".

JOGO: "Mata desejo"
Definição: Trata-se de descrever conflitos e buscar soluções em grupo.

Objetivos: Aprender a explicar os detalhes de um conflito e estimular a imaginação e criatividade na busca de soluções. Favorecer a afirmação de um mesmo e o apoio do grupo frente aos conflitos.

Material: Quadro de giz, giz, lápis e letreiro.

Observação: Formar grupos com menos de 7 pessoas.

Desenvolvimento:

  1. Todos os participantes começam dizendo em voz alta todos os problemas que cada um tem na sua mente, sem discutir. Depois, cada pessoa escreve os seus problemas de forma que todas as pessoas do grupo leiam.
  2. O grupo escolhe da lista uma situação-problema e a pessoa que o escreveu explica detalhadamente o conflito para que todos possam entender os fatos.
  3. Depois todos dizem um "Meta/Desejo" ou um "desejo de fantasia" que gostariam que acontecesse, caso tudo fosse possível (isto abre uma variedade de possibilidades para a situação e ajuda a definí-la mais claramente).
  4. Logo, cada um dá uma solução, prática e realista, que pode solucionar o problema. As Metas/desejos e as soluções são escritas e entregues à pessoa que apresentou o problema. O processo se repete para cada um dos participantes.

Avaliação:

  • Como se sentiu cada um?
  • O que contribuiu aos demais?
  • É possível solucionar o problema a partir da proposta feita pelos colegas?

 

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